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[AEDER] CONSIDERAÇÕES E ALERTA SOBRE A PONTE JURUMIRIM



Curitiba, 13 de janeiro de 2022


Analisando as fotos e vídeos da ponte sobre a Represa Jurumirim na Rodovia Raposo Tavares situada na divisa de São Paulo/Paraná. Na parte visível da estrutura, observa-se que está muito degradada, na parte da mesoestrutura. Os pilares e laje de concreto encontram-se bastante degradados, com visível perda de concreto (buracos na estrutura). Esta ponte já foi construída há muitos anos, possivelmente 40 ou 50 anos, e provavelmente nunca sofreu uma manutenção durante sua vida útil, pelo menos na parte da meso e da infraestrutura.


O concreto tem uma vida útil da ordem de 100 anos, no caso das pontes. Esta durabilidade depende essencialmente do projeto, e de como foi construída, e da qualidade e aplicação dos materiais e da agressividade do meio ambiente, como principais itens. Algumas obras atingem mais tempo, outras menos. Existem obras dos antigos Romanos, que ainda estão em atividade e, por outro lado, outras duram bem menos, citando como exemplo, a ponte San Mateo-Hayward na Califórnia, sobre as águas da Baía de San Francisco, cujo reparo foi efetuado após 16 anos da inauguração.


O problema da manutenção de estruturas é um problema mundial, não somente do Brasil. De acordo com o Eng. Paulo Helene, uma das maiores autoridades nesta matéria, ele cita que, num levantamento realizado em 1986 nos Estados Unidos, dentre 600.000 pontes, 253.000 tabuleiros de pontes rodoviárias e ferroviárias nos Estados Unidos estavam com problemas de durabilidade. Na Itália há não muito tempo, caiu um grande viaduto, ceifando 42 vidas, por problema de falta de manutenção.


No caso dos pilares de pontes, eles sofrem degradação, devido ao fluxo da água, o qual, dependendo da velocidade e da topografia da região, se plana ou montanhosa, além do material carreado pelo rio, tal como areia e pedregulho, com os anos, provoca esta degradação, vindo o concreto a perder material e formar vazios, tais como nesta ponte que está sendo analisada.


Atualmente, existem vários métodos de proteção e aumento da durabilidade do concreto armado, tais como: aditivos inibidores de corrosão da armadura, proteção catódica, revestimento da armadura, uso de compostos poliméricos reforçados com fibra de vidro, além do revestimento do concreto com recobrimentos protetores. Porém, a nossa ponte em questão, não recebeu estas medidas de proteção, sendo o concreto sujeito ao desgaste.

Mas, na nossa opinião, e trabalhando quase 50 anos no DER/PR, tendo vistoriado quase 300 pontes, e projetado perto de 50 obras de arte, julgamos que esta ponte está bastante deteriorada, sendo necessária uma vistoria imediata para levantar todas as patologias da estrutura, e que seja elaborado um projeto de recuperação. Acreditamos que não é o caso de interdição da rodovia, mas poderá sê-lo, dependendo dos resultados da vistoria.


Outrossim, é necessária também uma vistoria subaquática, pois não sabemos como se encontram os pilares e fundação da obra. Se possível, também, analisar o projeto original, para conhecer todos os detalhes e indicar o tratamento adequado para os pilares, e fundação também da parte da superestrutura, que compreende as vigas e laje do tabuleiro.



Eng. Civil Wilson Ahrens – CREA/PR 4574-D


Eng. Civil Julio Cesar Vercesi Russi CREA/PR 11.875-D

Presidente da Associação dos Engenheiros do DER - AEDER



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